O CASO JACK

A DEMANDA ESCOLAR NO ATENDIMENTO PSICOLÓGICO E A CONSTRUÇÃO DE UM CASO CLÍNICO

  • Juliana de Borba Ulrich
  • Ilvo Fernando Port

Resumo

Este estudo de caso se originou da experiência em atendimento clínico no ambiente do Serviço Clínica-Escola de Psicologia, da Faculdade IENH. A atuação, enquanto estagiária, tem por base o acolhimento e escuta dos relatos dos pacientes atendidos no espaço, bem como a intervenção, através da Psicanálise. Neste caso clínico, particularmente, a mãe da criança procura o atendimento no Serviço Clínica-Escola a pedido da instituição escolar. Observa-se que inúmeros pacientes chegam à procura de atendimento com o encaminhamento da escola, visto que no ambiente escolar é possível observar e acompanhar possíveis alterações psicológicas e/ou comportamentais; sendo assim, uma das instituições que demanda a maior parte de pedidos a atendimentos infantis. Jack, o nosso personagem, é filho único, residente em Novo Hamburgo. A queixa inicial, em relação a Jack, é a dificuldade dele em concluir as atividades escolares, apesar de se mostrar esperto e inteligente. Segundo a professora, os exercícios que ele conclui estão sempre corretos. Porém, na maioria das vezes, ele não consegue terminar as atividades requeridas por ela. Jack ainda apresenta dificuldade de interagir com os colegas, ficando mais isolado e brincando sozinho. Os pais, por sua vez, se angustiam pela possibilidade do filho repetir o quarto ano, pois sentem que o filho tem potencial, mas, segundo a instituição escolar, não está sendo possível avaliar a sua aprendizagem. Assim, ao pedido do serviço de Orientação Educacional, a criança e sua família buscam atendimento psicológico. Ao final da construção desse caso clínico, observa-se o quão intenso o medo e as angústias infantis podem ser e o quanto esse sofrimento pode afetar o desenvolvimento da criança, bem como, pontuamos as dificuldades que, por vezes, o psicólogo enfrenta em construir uma parceria com a equipe escolar, esbarrando em normas da instituição de ensino. Contudo, nesse caso, tivemos a possibilidade de experimentar outro tipo de vivência com a instituição escolar. A partir da troca de escola de Jack, vivenciamos outra relação com nova instituição. Foi possível nos reunirmos e, juntos, discutir e construir estratégias de enfrentamento às questões de sofrimento e dificuldades dessa criança.

Publicado
10-09-2019